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Israel e Palestina: seis pontos para entender a nova crise

Nesta semana, o mundo voltou sua atenção para o agravamento nas tensões entre Israel e Palestina. A escalada iniciada na sexta-feira, 7, já soma mais de 50 mortos e não tem previsão de terminar tão cedo. A troca de mísseis e foguetes continua nesta quarta-feira, 12, pelo terceiro dia consecutivo e a comunidade internacional alerta para uma “guerra em larga escala”. Mas por que os conflitos voltaram com tanta força nesta semana?   

Sheikh Jarrah  

Em novembro de 1947, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou o plano que daria origem ao Estado de Israel. Chamado de Plano de Partilha da Palestina, foi decidido que a região seria dividida em oito partes, formando um estado árabe e outro judaico. Segundo o plano, a cidade de Jerusalém teria um regime internacional administrado pela ONU. 

Sendo contrários ao plano, os países árabes se opuseram abertamente à criação do Estado de Israel e, após sua proclamação, israelenses e palestinos – com a ajuda de outros países árabes da região — entraram em um conflito que perdura até os dias atuais. Em 1976, após a Guerra dos Seis Dias, Israel reuniu forças e ocupou toda a região de Jerusalém Oriental, que deveria pertencer aos árabes. Embora não seja reconhecido pela ONU, o país judaico considera a cidade sagrada como parte integral de seu território, apesar das reivindicações palestinas sob a porção oriental. 

Dessa forma, os israelenses ocupam áreas consideradas árabes pelos palestinos e pela comunidade internacional. Os chamados assentamentos estão presentes em várias partes do território de Jerusalém e também da Cisjordânia, e consistem em bairros ou comunidades judaicas fechadas dentro de bairros árabes.  

Esse é o contexto do bairro de Sheikh Jarrah, de maioria palestina que fica na parte oriental de Jerusalém. Teoricamente pertencente à comunidade árabe, a região está em debate na Suprema Corte de Israel, que analisa o processo de despejo de quatro famílias palestinas da região para dar lugar a famílias judaicas.  

Embora Israel trate a situação como uma disputa imobiliária, o lado palestino acusa os israelenses de estarem tentando fazer uma limpeza étnica no bairro. A repercussão negativa foi tamanha que cristãos e até judeus se juntaram à luta dos palestinos.  

A questão religiosa  

A cidade de Jerusalém é considerada sagrada para muçulmanos, cristãos e judeus. A região da Cidade Velha é o coração da região e abriga locais sagrados para as três religiões, sendo dividida em quatro bairros. Dentro do quarteirão muçulmano está localizada um dos lugares mais sagrados para os muçulmanos e os cristãos: a mesquita de Al-Aqsa e o Monte do Templo. 

A disputa pela cidade é milenar e somente nos últimos 100 anos já foi controlada pelo Império Otomano, Reino Unido, conjuntamente pela Jordânia e por Israel e, desde 1967, inteiramente por Israel, apesar do seu status oficial internacional. O impedimento de ir e vir aos seus locais sagrados e as constantes reivindicações por partes dos povos faz com que a cidade seja constantemente alvo de conflitos e tensões. 

Na sexta-feira, 7, durante o último dia do Ramadã, uma das datas mais sagradas do Islã, palestinos foram impedidos de entrar no complexo pelas forças policiais israelenses, que controlam toda a cidade, iniciando um intenso conflito que terminou com mais de 200 feridos.  

  

Ramadã  

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O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico e é considerado sagrado para os muçulmanos. Durante o dia, os islamitas jejuam, rezam e celebram a revelação do Corão, livro sagrado, ao profeta Maomé. Além disso, muitos fiéis se dirigiram até a mesquita de Al-Aqsa, terceiro local mais sagrado de sua religião, para rezar e comemorar a data sagrada.  

No último dia do Ramadã, na sexta-feira, a proibição de entrar no complexo da mesquita levou aos palestinos a fazerem uma grande associação com todas as proibições justamente no mês mais sagrado para os seus fiéis, mais um fator que levou à escalada dos confrontos. 

A nova geração  

A prevalência de jovens nos protestos é clara. Essa geração é conhecida como a geração dos Acordos de Oslo dos anos 1990 — acordos de paz entre Israel e Palestina no ano de 1993 na capital norueguesa – e alguns nasceram próximo dos protestos dos árabes israelenses em outubro de 2000.   

Além disso, existem os mais jovens que consideram esses eventos como a história moderna e que não se importam com a liderança política em Ramallah, cidade palestina na Cisjordânia. Existia um sentimento na sociedade árabe de que os jovens não se importavam mais com a luta nacional.   

Porém, os protestos iniciados na sexta-feira mostram justamente o contrário: apesar de não serem muitos, a nova geração árabe não aceita a liderança judaica e vai às ruas em busca de reconhecimento.   

Cidades mistas   

As cidades mistas são regiões, principalmente na Jerusalém Oriental, onde judeus e árabes interagem diariamente. Áreas que deveriam ser de ocupação palestina sofrem com a criação de grandes assentamentos judaicos dentro dos territórios, muitos deles com escoltas armadas e muito policiamento. Esses assentamentos são considerados ilegais pelo Direito Internacional e pelos palestinos, que afirmam que se trata de um apagamento dos árabes e de uma limpeza étnica nessas regiões. 

A interação diária entre judeus e árabes nessas cidades pode ser visto como algo benéfico para reduzir as tensões entre os povos. Em algumas cidades, porém, o que se vê é uma grande discriminação contra os residentes árabes locais. Esse é o caso de Sheikh Jarrah, que recebe este nome por conta do médico de Saladino, líder da oposição islâmica aos cruzados europeus e conquistador de Jerusalém, sendo histórica para os árabes. Ao mesmo tempo, israelenses também consideram a região histórica por conter a tumba de um grande sacerdote judeu.  

Essas regiões são pontos altos de tensão e muitos árabes que sofrem com problemas socioeconômicos causados pelos assentamentos israelenses veem Sheikh Jarrah como um exemplo de sua própria luta. 

Mídias sociais  

Os recentes protestos ocorridos em Jerusalém estão sendo amplamente divulgados nas redes sociais e chamadas para participar das manifestações não demoram a chegar. Toda essa divulgação chega até os jovens que não necessariamente compreendem todos os trâmites dos protestos, mas que enxergam ali uma oportunidade para clamar por mudanças sociais.   

Em suma, a discriminação e a desigualdade sofrida pelo povo palestino alcançam cada vez mais pessoas prontas para exigir os seus direitos, principalmente uma geração de jovens que está pronta para agir, seja de maneira pacífica ou violenta. 

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