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Canadá aposta na imigração para impulsionar recuperação econômica

Depois de sofrer o seu maior déficit orçamentário desde a Segunda Guerra Mundial no ano de 2020, o Canadá agora aposta no fluxo de estrangeiros para sair da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. Entre as propostas, o governo pretende aumentar de forma significativa o número de novos residentes nos próximo três anos, além de conceder mais vistos permanentes para novos residentes, em especial aqueles que já estejam no país de forma temporária. 

“A história nos ensinou que quando crescemos nossos níveis de imigração, crescemos a nossa economia junto”, disse Marco Mendicino, ministro de Imigração canadense.  

No entanto, o plano de melhora da economia pode enfrentar alguns problemas para ser concretizado. Especialistas ouvidos pelo Wall Street Journal afirmam que pessoas que chegam a um país durante uma crise econômica costumam ter mais problemas para conseguir se estabelecer e arrumar um emprego. Além disso, analistas destacam as restrições da fronteira canadense como grande empecilho para a execução do projeto.  

Embora não seja novidade, essa é vista como a estratégia mais agressiva dentre os países que adotam políticas semelhantes. Nos Estados Unidos, o governo do ex-presidente Donald Trump suspendeu a maioria dos vistos alegando riscos de que os americanos pudessem perder seus empregos para os novos moradores. Já o atual presidente, Joe Biden, propôs logo em seus primeiros dias de governo uma reforma migratória que pode dar a plena cidadania para até 10 milhões de pessoas.  

O governo do Reino Unido, que adotou uma postura mais restritiva após a concretização do Brexit, afirmou que suas novas regras podem restringir a entrada de novos imigrantes no país. Ao mesmo tempo, a Austrália optou por uma postura bastante rígida em suas fronteiras, o que provavelmente teve grande contribuição para a queda no número de novos migrantes.  

De acordo com dados oficiais, o número de imigrantes no Canadá apresentou uma queda de quase 50% em 2020. Para lidar com o problema, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, espera aumentar o número de residentes permanentes, visto que, em termos econômicos, o país é um dos mais dependentes de imigrantes do mundo. 

Uma das primeiras medidas postas em prática foi olhar para dentro. Por conta das restrições das fronteiras ainda em vigor devido à pandemia, o Canadá começou a recorrer àqueles que já estão dentro de seu território. Mais de 40.000 pessoas já foram convidadas a se inscrever no sistema do governo, quase o dobro do número de convites emitidos durante o ano de 2020. 

A Austrália, outro país muito dependente do fluxo migratório para seu crescimento econômico, resolveu adotar outra estratégia. Antes da pandemia, o governo australiano agiu diretamente no teto geral do número de imigrantes. Com uma revisão anual, cenários estão sendo analisados para atrair pessoas mais qualificadas e ligadas a negócios. Já nos Estados Unidos, o excesso de imigrantes que tentam entrar de maneira ilegal através da fronteira com o México está pressionando o governo Biden a repensar sua nova política de migração. 

O Canadá está entre as economias desenvolvidas que mais necessitam do processo de imigração para crescer. Antes da pandemia, cerca de 80% do crescimento populacional canadense dependia dos imigrantes. 

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