Saúde mental da mulher médica ganha destaque em evento promovido pelo Cremerj

Saúde mental da mulher médica ganha destaque em evento promovido pelo Cremerj

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez
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Saúde mental da mulher médica ganha destaque em evento promovido pelo Cremerj

CARE for Women 2026 discute sobrecarga, equidade e sustentabilidade da carreira médica feminina no Brasil.

Por que tantas médicas relatam exaustão, sobrecarga emocional e dificuldade em conciliar carreira e vida pessoal mesmo ocupando posições de destaque na profissão? Essa pergunta esteve no centro do evento “CARE for Women 2026: Elevando o Cuidado para Transformar Vidas, Carreiras e Economias”, promovido pela Comissão Cremerj Mulher no Rio de Janeiro. O encontro reuniu médicas, estudantes de medicina e lideranças do setor para discutir o que a própria entidade descreve como uma necessidade urgente: construir uma nova agenda de cuidados voltada especificamente à saúde da mulher médica. O tema ganha relevância à medida que mulheres assumem cada vez mais espaço em funções de alta exigência na linha de frente do atendimento público e privado, muitas vezes sem o suporte estrutural necessário para sustentar essa trajetória a longo prazo.

O que motivou o debate sobre a saúde da mulher médica

O evento, realizado no auditório Júlio Sanderson, na sede do Cremerj, reuniu o presidente do conselho, Antônio Braga, a conselheira responsável pela Comissão Cremerj Mulher, Glaucia Moraes, a vice-presidente do CFM, Rosylane Nascimento, e o conselheiro federal Raphael Câmara. Durante a abertura, Rosylane Nascimento destacou a transformação histórica do papel da mulher na medicina, lembrando que, em décadas anteriores, a maioria das mulheres estava restrita à vida doméstica, dedicando-se aos cuidados com a família, enquanto hoje ocupam funções altamente qualificadas e seguem, com frequência, trilhando essa jornada profissional sem uma rede de apoio equivalente à de seus colegas homens. CREMERJ

A iniciativa não nasceu isolada. Segundo o Cremerj, o encontro ocorreu em alinhamento com o lançamento de um documento global apresentado durante a Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, reforçando o compromisso internacional com modelos de cuidado mais integrados e economicamente sustentáveis para profissionais da saúde. A escolha do framework internacional CARE, que organiza as discussões em torno de conduzir, alinhar, reportar e engajar, deu estrutura a um debate que vai além do discurso motivacional e busca propor caminhos práticos para lidar com sobrecarga emocional, desigualdades estruturais e fragmentação do cuidado dentro da própria categoria médica.

Os principais temas discutidos no evento CARE for Women

Um dos pontos centrais da programação foi a aula magna sobre o custo invisível das falhas no cuidado com a saúde da mulher, ministrada pela especialista sênior em direito da mulher do Banco Mundial, Paula Tavares. A apresentação discutiu como lacunas na assistência à saúde feminina afetam não apenas vidas individuais, mas também sistemas de saúde e economias inteiras, conectando o debate da saúde da mulher médica a uma discussão mais ampla sobre equidade de gênero na área da saúde.

Ao longo do encontro, temas como liderança feminina, maternidade na medicina, prevenção e sustentabilidade da carreira também estiveram em pauta, refletindo preocupações que vêm sendo levantadas com frequência crescente por médicas em diferentes estágios da carreira, da residência até posições de chefia. A discussão sobre maternidade, em particular, toca em um ponto sensível da rotina médica: a dificuldade de conciliar plantões, especializações e licenças com a criação dos filhos, um desafio que impacta diretamente decisões de carreira e, em muitos casos, a saúde emocional da profissional.

Por que a sustentabilidade da carreira médica preocupa o setor

O termo “sustentabilidade da carreira”, recorrente durante o evento, reflete uma preocupação que vai além do bem-estar individual: trata-se de garantir que o sistema de saúde não perca profissionais qualificadas por esgotamento, falta de suporte estrutural ou ausência de políticas que considerem as particularidades da trajetória feminina na medicina. Conselhos regionais como o Cremerj têm investido em comissões específicas voltadas a essa discussão justamente porque o tema impacta diretamente a retenção de talentos na área.

Para entidades médicas, criar espaços formais de discussão sobre esse assunto é também uma forma de dar visibilidade institucional a um problema que, até pouco tempo, era tratado quase exclusivamente como questão pessoal. Ao colocar a saúde mental e a sobrecarga emocional das médicas na agenda oficial de um conselho de medicina, o Cremerj sinaliza que o tema deixou de ser periférico e passou a ser tratado como parte da estratégia de fortalecimento da própria categoria profissional, com potencial de influenciar políticas internas de hospitais, clínicas e programas de residência médica.

O debate promovido pelo evento CARE for Women 2026 reforça um movimento que vem ganhando espaço dentro da própria classe médica: reconhecer que sustentar uma carreira de alta exigência exige suporte estrutural, e não apenas esforço individual. Para médicas que enfrentam sinais de sobrecarga, esgotamento ou dificuldades emocionais relacionadas à rotina profissional, o caminho recomendado é buscar acompanhamento especializado, seja por meio de programas de apoio oferecidos por conselhos regionais, seja com profissionais de saúde mental. Discussões institucionais como essa ajudam a tirar o tema do silêncio, mas o cuidado individual continua sendo insubstituível.

Fontes consultadas:
https://portal.cremerj.org.br/noticias/comissao-cremerj-mulher-promove-evento-sobre-saude-carreira-e-lideranca-feminina-na-medicina/

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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